As aventuras de um Algarvio no país das papoilas (e das bicicletas, e das meninas nas vitrines, e das drogas, e dos diques, ...)
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Ora cá estou eu, retomando a conversa onde ela ficou no post anterior.

Antes do fim do meu contracto ainda arranjei tempo para dar um salto a Antuérpia, ali na Bélgica. De um modo geral, a arquitectura assemelha-se bastante à Holandesa (o que não é nada de estranhar, dada a proximidade geográfica e histórica dos dois países), mas as semelhanças ficam-se por aí. Achei a cidade suja, esburacada e mal tratada. Ainda assim, existem algumas zonas (agora só me lembro do centro histórico) que merecem uma visita.

O contracto acabou e as buscas por novo emprego começaram. Uma tarefa nada fácil! Para começar não falo a língua, o que por si só limita significativamente as minhas oportunidades. Depois, a maldita da crise e para completar o quadro começou o período de férias na zona da Holanda onde resido o que, em termos práticos, significa que foi tudo de férias e não ficou ninguém nas empresas para tratar de recrutamento de pessoal.

Dadas as circunstâncias, imutáveis no curto prazo, resolvi fazer o pedido do subsídio de desemprego e ir passar uns dias de férias a Portugal.

Escusado será dizer que ADOREI! Para além de ter estado com a minha família, pude rever os meus amigos e ainda apanhei bom tempo para aproveitar a praia.

Mas o tempo foge (principalmente quando nos estamos a divertir) e em menos de nada me vi de volta à Holanda.

Continuo à procura de emprego mas não tive muito sucesso até agora. Tenho esperança, no entanto, que as coisas melhorem em breve. Há boas notícias relativas ao desempenho da economia americana mas também da europeia, com a França e a Alemanha (e Portugal também, ouvi hoje) a saírem da recessão, e o optimismo pode fazer milagres. O período de férias aqui também parece estar no fim por isso espero começar a ver, em breve, muitos mais anúncios de emprego. Finalmente, foi-me concedido o subsídio de desemprego por 3 meses, o que sempre me dá mais algum tempo para procurar.

Leituras: Acabei o tal livro de Camilo Castelo Branco "O Bem e o Mal" (lê-se bem e tem um final feliz), entretanto já li um livro sobre economia "New Ideas from Dead Economists" (fala sobre os principais economistas da história e suas teorias de uma forma bastante acessível) e agora estou a ler um sobre astronomia e física chamado "A Brief History of Time" de Stephen Hawking (este trata daquelas coisas sobre as quais eu não percebo nada mas que me fascinam, tipo mecânica quântica, big bang, buracos negros, viagens no tempo,etc).

A última vez que fui ao cinema foi ainda aí em Portugal, aquando destas últimas férias. Fui ver o filme do Harry Potter com a minha mãe que, acreditem ou não, é uma fã incondicional dos livros e filmes da dita personagem. Gostei do filme mas não do fim. Não gramo nem à lei da bala aqueles fins (que não são fins coisa nenhum) em que tudo fica em aberto e a esperança de uma conclusão para a história é remetida para um próximo filme que só chega um ano depois.

Bem...acho que hoje fico-me por aqui! Desejo muita alegria a quem está em condições de a apreciar, muita força àqueles que estão a lutar para poderem chegar até ela e muita saúde a todos.

Um grande abraço.

Red in Holland

publicado por Red in Holland às 12:08

"SEM EMPREGO A CRISE MANTÉM-SE "
Todos sabemos que a intervenção humana é cada vez mais prescindível; um dia será apenas residual nas fábricas, laboratórios, escritórios e lojas... Assim, o emprego não recuperará se não se alterar a redistribuição da riqueza produzida. Só isso iria criar alternativas de emprego em sectores de lazer e outros como alternativa aos que se perdem por via do aumento da produtividade por força das novas tecnologias da informática e automação.

De contrário, espera-nos mais desemprego e miséria: Haverá alguns (poucos) muito ricos, que benificiam dos lucros dessas grandes empresas e muitos milhões de excluídos. A classe média tenderá a desaparecer por isso. Este cenário tem sido objecto de filmes "futuristas" mas o futuro está já aí. Solução: recusar este estilo de "globalização selvagem" e exigir aos países que escravizam a sua mão de obra que concedam condições dignas de vida às suas populações para poderem exportar para os países ocidentais e não ser o ocidente a copiar os métodos desses países. Todos sabemos que o custo da mão de obra é insignificante para o cálculo do preço final dos produtos produzidos nesses países.
Também não dificultar a saída do mercado de trabalho aos mais velhos que até descontaram a vida inteira para esta sociedade injusta seria uma solução correcta. Não dificultar nas reformas em vez do contrário que estamos a fazer: os seus lugares seriam ocupados por jovens em idade de trabalhar que estão no desemprego porque os velhos não se reformam nem morrem
Zé da Burra o Alentejano a 14 de Agosto de 2009 às 09:44

Olá! Já há muito que não via notícias tuas. Infelizmente fiquei triste por ver que estás no desemprego. De facto não está fácil em lado nenhum. Boa sorte para a procura.
Quanto ao Harry Potter só fazes essa crítica porque não leste os livros. A culpa não é do filme, é dos livros. Eu esperei muitos anos até saber o final, tu podes esperar muito bem um anito só :P ah e estragando já tudo fica sabendo que o final do Harry é a coisa mais banal e 'viveram felizes para sempre' que podia existir.
Beijos
Katie a 15 de Agosto de 2009 às 23:00